Mensagem 02 - 04 - 15

Façam isto em memória de mim!

- Jesus foi o maior acontecimento de Deus na história da humanidade. Ele é Emanuel, Deus Conosco. Da sua plenitude recebemos bênção sobre bênção. Existe realmente um antes e um depois de Cristo!

- Por isso foi do agrado de Cristo instituir um sacramento pelo qual ele permaneceria no meio do seu povo com o seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Jesus queria permanecer no meio de nós não só de forma espiritual, mas de forma sacramental. Foi quando Ele celebrou a Primeira Santa Missa na noite da quinta-feira, às vésperas da sua crucificação, instituiu o sacramento da Eucaristia e desejou que os seus Apóstolos continuassem celebrando-O em memória dele. (1Cor 11,23ss)

- Esta memória desejada por Cristo é mais que uma memória mental, é anamnese espiritual. Anamnese na Bíblia significa não só a recordação e a celebração de um acontecimento, mas sobretudo a atualização do mesmo. Na Santa Missa fazemos memória de Cristo Jesus no sentido de atualizar a sua presença no meio do povo através do pão e do vinho consagrados pelo Espírito Santo no seu Corpo e no seu Sangue.

- Sobre o Pão e o Vinho consagrados serem realmente o Corpo e Sangue de Cristo para a nossa salvação, sabemos a partir da própria Palavra de Deus. Vejamos algumas passagens da Bíblia:

- João 6: Eu sou o Pão da Vida. O Pão que eu vos dou é a minha Carne. E a bebida que vos ofereço é o meu Sangue. Quem come deste Pão possui a vida eterna. Permanece em mim e eu permaneço nele.

- Lucas 22: Tomai e comei, isto é o meu Corpo. Tomai e Bebei, isto é o meu Sangue. Sangue da Nova e Eterna Aliança que será derramado para a remissão dos pecados.

- Nesta quinta-feira Santa, dia em que celebramos a Instituição da Eucaristia, agradeçamos a Deus por tanta misericórdia e cresçamos no amor e na devoção a Jesus Eucarístico. Ele está no meio de nós!

Fraternalmente,
Pe. Marcos Oliveira
Acompanhante Geral do DJC

Mensagem 31 - 03 - 15

Arrependimento, não remorso e nem covardia!

Davi, o grande rei de Israel, tropeçou na pedra do pecado e caiu.
O pior, seu coração ficou endurecido e do pecado do adultério com Betsabéia passou para o pecado do assassinato de Urias. Matou o esposo para ficar com a viúva... E a espada da morte entrou na sua família, porque o pecado sempre gera consequenciais negativas. Como diz o Apóstolo Paulo, o salário do pecado é a morte.
Um pecado incentiva outro pecado e se não houver arrependimento, leva ao pecado contra o Espírito Santo. E o único pecado que não possui perdão neste mundo e nem no outro é o pecado contra o Espírito Santo. Por isso precisamos ficar em alerta, orar, vigiar e se converter enquanto é tempo, enquanto o pecado não nos domina completamente.
Precisamos diferenciar arrependimento de remorso e covardia.
No remorso, a pessoa até reconhece que pecou, mas não faz nada para melhorar e deixar o pecado para trás. Chora o leite derramado e logo em seguida derrama a outra garrafa de leite.
A pessoa covarde reconhece que errou, mas sempre coloca a culpa em outras pessoas ou acontecimentos da vida. Permanece na mesma situação de pecado, porque sempre vai arranjar um bode-expiatório para se desculpar.
No arrependimento, a pessoa é humilde, reconhece o pecado, assume a culpa, pede perdão a Deus e faz o compromisso de não pecar mais. O arrependimento é libertador, porque a pessoa realmente confessa o pecado e se abre para a graça da vida nova.
Exortado pelo profeta Natã, Davi se arrependeu dos crimes cometidos e compôs o Salmo 51, que é uma grande oração de um coração arrependido e contrito.
Deus não despreza um coração arrependido!
Arrependidos, rezemos o Salmo 51 e peçamos o perdão de Deus, fazendo nossa a oração de Davi:
Tem misericórdia de mim, ó Deus, por teu amor; por tua grande compaixão apaga as minhas transgressões.
Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado.
Pois eu mesmo reconheço as minhas transgressões, e o meu pecado sempre me persegue.
Contra ti, só contra ti, pequei e fiz o que tu reprovas, de modo que justa é a tua sentença e tens razão em condenar-me.
Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe.
Sei que desejas a verdade no íntimo; e no coração me ensinas a sabedoria.
Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e mais branco do que a neve serei.
Faze-me ouvir de novo júbilo e alegria; e os ossos que esmagaste exultarão.
Esconde o rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas iniqüidades.
Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova dentro de mim um espírito estável.
Não me expulses da tua presença, nem tires de mim o teu Santo Espírito.
Devolve-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito pronto a obedecer.
Então ensinarei os teus caminhos aos transgressores, para que os pecadores se voltem para ti.
Livra-me da culpa dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação! E a minha língua aclamará à tua justiça.
Ó Senhor, dá palavras aos meus lábios, e a minha boca anunciará o teu louvor.
Não te deleitas em sacrifícios nem te agradas em holocaustos, se não eu os traria.
Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado; um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás.
Por tua boa vontade faze Sião prosperar; ergue os muros de Jerusalém.
Então te agradarás dos sacrifícios sinceros, das ofertas queimadas e dos holocaustos; e novilhos serão oferecidos sobre o teu altar.

Mensagem 01 - 04 - 15

No dia de aflição, minhas mãos buscam a Deus!

No salmo 77 o salmista nos faz rezar a partir dos momentos difíceis da vida, naquela certeza da qual nos fala São Paulo: "Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos!” (2Cor 4,8).

No meio das aflições somos levados a pensar que Deus nos esqueceu (6-11):

Eu reflito sobre os tempos de outrora, *
e dos anos que passaram me recordo;
meu coração fica a pensar durante a noite, *
e de tanto meditar, eu me pergunto: –

Será que Deus vai rejeitar-nos para sempre? *
E nunca mais nos há de dar o seu favor?
Por acaso, seu amor foi esgotado? *
Sua promessa, afinal, terá falhado?

Será que Deus se esqueceu de ter piedade? *
Será que a ira lhe fechou o coração?
Eu confesso que é esta a minha dor: *
'A mão de Deus não é a mesma: está mudada!'

Porém, a sagrada recordação das maravilhas de Deus na nossa vida, na história da humanidade e na natureza tem o poder de ressuscitar a nossa fé e esperança, o que nos ajuda a vencer os momentos ruins e não afundamos no desespero (12-21):

Mas, recordando os grandes feitos do passado, *
vossos prodígios eu relembro, ó Senhor;
eu medito sobre as vossas maravilhas *
e sobre as obras grandiosas que fizestes.

São santos, ó Senhor, vossos caminhos! *
Haverá deus que se compare ao nosso Deus?
Sois o Deus que operastes maravilhas, *
vosso poder manifestastes entre os povos.
Com vosso braço redimistes vosso povo, *
os filhos de Jacó e de José.

Quando as águas, ó Senhor,vos avistaram, *
elas tremeram e os abismos se agitaram
e as nuvens derramaram suas águas, †
a tempestade fez ouvir a sua voz, *
por todo lado se espalharam vossas flechas.

Ribombou a vossa voz entre trovões, †
vossos raios toda a terra iluminaram, *
a terra inteira estremeceu e se abalou.

Abriu-se em pleno mar vosso caminho †
e a vossa estrada, pelas águas mais profundas; *
mas ninguém viu os sinais dos vossos passos.
Como um rebanho conduzistes vosso povo *
e o guiastes por Moisés e Aarão.

É importante recordar as maravilhas de Deus na nossa vida pessoal, familiar e comunitária. A fé não é um ato isolado como que se limitasse ao aqui e agora e o resto não importa. Ela abarca o passado, o presente e o futuro.

Jesus, ao assumir a nossa natureza e condição humana, assumiu também nossas dificuldades, dores, aflições e sofrimentos, menos o pecado. E nos ensinou s superar tudo isso confiando no amor de Deus que nunca nos abandona, e abandonando-nos em suas mãos.

É isto meus irmãos e irmãs: quando fazemos a sagrada recordação do amor de Deus que nunca nos abandona, abandonamo-nos confiantemente nas suas mãos como uma criança se joga sem nenhum medo nos braços do seu pai. É isto a fé: um jogar-se nas mãos de Deus em meio às aflições.

Em meio às aflições nunca nos esqueçamos de Deus, porque Ele nunca se esquece de nós! Como o salmista rezava: “No dia de aflição, minhas mãos buscam a Deus!”

Como também rezava o Servo Sofredor, figura profética de Jesus Nosso Senhor: "O Senhor é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado!” (Is 50,7)

No meio das aflições, recorde o amor de Deus que nunca lhe abandonou e abandone-se em suas mãos: “No dia de aflição, minhas mãos buscam a Deus!”

Mensagem 30 - 03 - 15

Recomeçar sempre

No segundo livro de SAMUEL, capítulos 11 e 12, encontramos a história da queda de Davi. Aquele mesmo ungido que venceu o gigante Golias e tornou-se o grande rei de Israel, agora cai pela força do seu próprio pecado. O que venceu Golias com pedras agora tropeça na pedra do pecado que ele não fez por onde tirar do seu caminho.
O pecado sempre começa pela mente, entra no coração, fermenta os pensamentos e sentimentos e se torna um fato consumado. Uma vez consumado, gera a queda, gera a morte. Por isso precisamos vigiar sempre, porque por detrás do pecado estão nossa concupiscência, as seduções do mundo e tentações de Satanás e seus demônios.
Com Davi aconteceu assim. Numa tarde, levantando-se da cama, foi passear no terraço do palácio. Viu uma mulher muito bonita tomando banho. Era Betsabéia, esposa de Urias. Davi fez com que ela fosse levada ao seu encontro e adulterou com ela.
O pecado endurece o coração e vai crescendo dentro do pecador que não se arrepende. Depois vamos ver Davi tramando um pecado muito maior do que o adultério, a morte de Urias, para então ficar com Betsabéia. E assim aconteceu.
Mas Deus não aprovou o erro de Davi e a espada da morte entrou na sua família. O pecado sempre gera consequências negativas. O salário do pecado sempre é a morte.
Por isso, Deus e a Igreja insistem na necessidade do arrependimento e da conversão permanente. Até Davi caiu. Nós também podemos cair e temos consciência de que já caímos muitas vezes.
Mas o projeto de Deus não pode parar nem em nós e nem através de nós. Por isso se faz necessário sempre recomeçar, reconhecendo o pecado, pedindo e perdão e fazendo de tudo para não pecar mais.
Recomeçar, esta é a palavra-chave desta Semana Santa. Recomeçar crendo no amor de Deus e confiando na sua misericórdia!
Podemos recomeçar porque Deus está disposto a nos perdoar. Se Deus não fosse misericordioso não tínhamos como ter esperança. Mas ele foi misericordioso com o Davi arrependido e também será misericordioso com cada um de nós, desde que nos arrependamos e coloquemos os nossos pés dentro do seu projeto de salvação.
Da linhagem de Davi nasceu Jesus, o Salvador da Humanidade e Rei Eterno, conforme Deus prometera. Permitamos que o projeto de Deus também não pare na nossa vida. Peçamos perdão, isto é tudo, e Ele nos perdoará.
Quando decidimos recomeçar após o pecado, Deus também recomeça a operar na nossa vida com a sua Graça. E isto se chama santidade!
Pe. Marcos Oliveira
Acompanhante Geral do DJC

Mensagem - 27 03 15

Deus, um pai que chora a morte do filho

Como está escrito no segundo livro de Samuel, capítulo 18 (9-10.14b.24-25a.30-19,3), Davi chorou a morte do seu filho Absalão, mesmo que este fosse um filho ingrato que lutava contra o próprio pai e visava a destruição do seu reino. Davi é a figura daquele pai que ama o filho apesar deste ser mal e ingrato.

Absalão encontrou-se por acaso na presença dos homens de Davi. Ia montado numa mula e esta meteu-se sob a folhagem espessa de um grande carvalho. A cabeça de Absalão ficou presa nos galhos da árvore, de modo que ele ficou suspenso entre o céu e a terra, enquanto a mula em que ia montado passou adiante.

Alguém viu isto e informou Joab, dizendo: “Vi Absalão suspenso num carvalho”. Joab tomou então três dardos e cravou-os no peito de Absalão. Davi estava sentado entre duas portas da cidade. A sentinela que tinha subido ao terraço da porta, sobre a muralha, levantou os olhos e divisou um homem que vinha correndo, sozinho.

Pôs-se a gritar e avisou o rei, que disse: “Se ele vem só, traz alguma boa nova”. O rei disse-lhe: “Passa e espera aqui”. Tendo ele passado e estando no seu lugar, apareceu o etíope e disse: “Trago-te, senhor meu rei, a boa nova: O Senhor te fez justiça contra todos os que se tinham revoltado contra ti”.

O rei perguntou ao etíope: “Vai tudo bem para o jovem Absalão?” E o etíope disse: “Tenham a sorte deste jovem os inimigos do rei, meu senhor, e todos os que se levantam contra ti para te fazer o mal!”

Então o rei estremeceu, subiu para a sala que está acima da porta e caiu em pranto. Dizia entre soluços: “Meu filho Absalão! Meu filho, meu filho Absalão! Por que não morri eu em teu lugar? Absalão, meu filho, meu filho!”

Anunciaram a Joab que o rei estava chorando e lamentando-se por causa do filho. Assim, a vitória converteu-se em luto, naquele dia, para todo o povo, porque o povo soubera que o rei estava acabrunhado de dor por causa de seu filho.

O Papa Francisco nos lembrava: “Deus é assim conosco! ‘Mas, padre, Deus não chora!’. Mas como não! Recordemos Jesus, quando chorou olhando para Jerusalém. ‘Jerusalém, Jerusalém! Quantas vezes quis reunir teus filhos, como a galinha reúne seus pintinhos sob suas asas’. Deus chora! Jesus chorou por nós! E aquele choro de Jesus é propriamente a figura do choro do Pai, que nos quer todos consigo”.

Deus chora por nós quando pecamos, somos ingratos e prejudicamos a nossa vida ou a vida dos nossos semelhantes. Chora porque ele quer a nossa felicidade e apesar de tudo, somos seus filhos.

Que nesta quaresma sejamos alegria para o Pai Celeste, e não tristeza. Deus Pai é glorificado, Ele fica cheio de glória e alegria quando somos discípulos de Jesus e produzimos muitos frutos! (Jo 15)

Fraternalmente,

Pe. Marcos Oliveira

Acompanhante Geral do DJC